Há aproximadamente 13 anos atrás, uma época em que o black metal era o meu estilo favorito, me vangloriava de ter, em meu singelo acervo de cds, cerca de 250 cds só do estilo, eu já era um explorador musical, entretanto, as atmosferas que permeiam o que você ouve lhe conduzem aos achados. O que quero dizer com isso, meu radar estava voltado a sons obscuros, teatrais, soturnos e underground e nessa época eu costumava encomendar meus cds “esquisitos e diferentes” de um DJ que discotecava festas EBM no RJ, as festas não eram assim tão underground musicalmente falando, pois se fossem os números ($$$) não seriam assim tão significativos. Entretanto, seu conhecimento musical era algo a se considerar, e como ele sabia do meu fascínio pelo Wumpscut e Leather Strip ele me indicou algo, que eu jamais encontraria se não fosse por indicação de alguém. Em 1997 a internet já estava bem presente, mas não como hoje, é claro, nesta época não existiam muitos sites interessante para se descobrir coisas novas, eram pedaços de informação espalhados aqui e ali. Até uns anos atrás eu não tinha nada além do magnífico HALF ROTTEN AND DECAYED em mãos e mais nada, não sabia nada sobre seu criador, inspirações, sobre o que era o projeto etc...
Hoje com algumas dessas informações em mãos, tenho o orgulho de apresentar-lhes este projeto espetacular, que não deve ser negligenciado por fãs de nenhum estilo de metal, principalmente se você curtir, thrash, black metal ou death, existe uma grande possibilidade de curtir muito este disco, mas é necessário uma mente aberta para tal.AmGod é um projeto difícil de se rotular e como eu odeio rótulos eu não vou perder meu tempo neste quesito, digo apenas que costumam chamá-lo de dark-elektro-crossover, mas para mim, música obscura já cumpre o papel. Dominik Van Reich é o seu idealizador, proveniente do yelworC, uma banda EBM alemã, muito boa também, onde em dezembro de 1993 a deixou e fundou o AmGod. Este post é uma satisfação pra mim, pois durante muito tempo quis saber mais sobre o projeto e seu criador e, principalmente, descobrir outras pessoas que curtiam a banda.
Este termo “amGod” é um anagrama da palavra “dogma”, Dominik lida com diversos assuntos em seu projeto, principalmente sobre as distorções humanas da sociedade moderna, guerras, depressão, solidão, agressividade, o materialismo desenfreado e a sede de poder e luxúria, conceitos que ele aborda como os futuros destruidores da existência da raça humana neste planeta.
A abertura do álbum HALF ROTTEN AND DECAYED já fala um pouco sobre sua opinião a respeito das religiões monoteístas em geral:
AMGOD
DOGMA 1
I AM GOD
ADORABLE EGOTISM
MONOTHEISM DEGENERATION
RELIGIOUS HEADROOM
AMBIGUOUS DOCTRINE
STIGMA OF IDOLS
ALARMING FALSEHOOD
CONFUSED GAME
AM I GOD
GO MAD
AMGOD
O objeto deste post é o álbum HALF ROTTEN AND DECAYED, seu primeiro trabalho, o artworkDOGMA 1
I AM GOD
ADORABLE EGOTISM
MONOTHEISM DEGENERATION
RELIGIOUS HEADROOM
AMBIGUOUS DOCTRINE
STIGMA OF IDOLS
ALARMING FALSEHOOD
CONFUSED GAME
AM I GOD
GO MAD
AMGOD
do disco é impecável, um digipack com um livreto incluso de 16 páginas, as 13 primeiras contem do lado esquerdo trechos da música em questão escritos em 4 línguas: inglês, francês, alemão e italiano e no lado direito uma ilustração referente a música. Dominik é creditado no álbum como responsável pelos vocais, todas as letras, os samplers, ritmos e todos os efeitos dos sintetizadores. O álbum, em sua versão original, a que orgulhosamente tenho em mãos, está fora de catálogo, e foi relançado pela Celtic Circle Productions num cd triplo em 2004, que também está fora de catálogo. Em seus originais 67 minutos, o trabalho mantem o ouvinte num clima de tensão, trevas e mecanismos precisamente ajustados, gerando um som peculiar, com vocais rasgados na linha black metal norueguês dos anos 90 e um peso absurdo, uma verdadeira viagem sombria nos proporciona Van Reich em seu primeiro trabalho solo. Vamos falar das músicas isoladamente...“Deixe suas esperanças do lado de fora”
01.amGod - B. Young, a vocalista desta intro, recita o questionamento acima sobre o tema AMGOD, preparando o ouvinte para as trevas que lhe aguardam…
02.Fall Out – Já de início considero uma das melhores músicas do play, obscura ao máximo, climática, e retrata exatamente uma queda livre nas profundezas infinitas distorcidas da alma de seu criador. Os gritos de Van Reich com os sintetizadores ao fundo cumpre o que o título do disco propõe.03.Fire v.2 (Cover de Arthur Brown) - Esta é uma versão industrial desta música originalmente gravada por Brown em 1968, talvez seja a música mais “alegre” do disco, pois possuem um certo ritmo, entretanto, quando observada a letra, a palavra “alegre” perde todo o seu sentido:
“I am the god of hell fire and I bring you:
Fire, I'll take you to burn.
Fire, I'll take you to learn.
I'll see you burn!”
04.Silence Besides the Sun – Pesada, climática e contagiante, os vocais no refrão ganham um background encorpado tornando sua audição ainda mais interessante...
“hopeless moments,
petrified emotions”
petrified emotions”
05.Braindead – Mantendo a linha tenebrosa do disco, Van Reich usa sabiamente trechos do
filme flatliners, protagonizado por Kiefer Sutherland, “Today is a good day to die” !!! Esta música já possue uma orientação um pouco mais rock que as outras.06.Pain Laughter - Outro espetáculo de obscuridade, considero compor a difícil lista de segregar destaques, ela segue uma linha gradativa de tensão, culminando no refrão veloz, e os vocais nervosos caracteristicos do disco.
07.Leben - Tod - A mais lenta e agonizante do disco, principalmente por possuir um bip no fundo simbolizando os batimentos cardiácos e aquele efeito de orgão antigo ao fundo, temos também pra completar a visão tétrica, Van Reich cantando em 4 línguas diferentes. Ao final o big se torna contínuo...
08.Overlove – B. Young empresta seu lindo vocal nesta canção maravilhosa do play, apesar do clima totalmente sombrio da música ela é o que seu título diz,
“Two hearts united
And their souls became one”
And their souls became one”
Mas como a proposta do disco não nos permite momentos de respiração e alegria, no fim da letra a mulher é levada por alguém ... A figura no lado direito da página que contém um trecho da letra é de um Demônio carregando em seus braços uma mulher.
09.Deathwill - Agonizante, não tenho outras palavras para definir esta música, a bateria simplesmente massacra e a melodia é caos, em sua mais pura essência.10.doGma (Parte 2 "Monotheism") – Inicia explendidamente a série de 4 músicas a respeito do conceito amGod.
“I, myself, and once again...
… me”
Então seguem-se 11.doGma (Parte 3 "Gismo"), 12.doGma (Parte 4 "Half Rotten & Decayed") e 13.doGma (Parte 5 "Dreamscape"), todas basicamente na mesma linha, obscuras, variando um pouco a cadência, mas sempre mantendo o climão soturno. Na parte 4 a velocidade aumenta, e o tom de desespero de Dominik é realmente contagiante e desloca no tempo e no espaço o ouvinte para uma dimensão macabra.… me”
Existe um “intermission” entre a música 13 e 65 inclusive, até chegar a Crush.
66.Crush! - Instrumental, serve mais como uma intro para a versão mais dançante de Fire.
67.Fire v.3 (Mr. Hippy-Shake Mix) – Como disse anteriormente, é uma versão mais dance e com uns mixes que não curti muito, poderia ficar de fora.
68.Stigmata (Preview) – Um dos grandes momentos do disco, totalmente inexquecível. O que mais gosto no mundo da música é você lançar seu olhar individual à arte, ter suas próprias visões e interpretações dos mais variados trabalhos. Aqui, quando ouço este disco, me reporto aos primeiros episódios da série Millennium, aquele climão apocalíptico e sem esperanças.
Depois deste grande álbum Dominik gravou mais 2 discos com o nome amGod, inclusive lançou este ano o DREAMCATCHER, que ouvi e achei muito aquém do HALF, portante, o objeto deste post é “ô” álbum da banda!
Então meus amigos, àqueles exploradores musicais, que estejam em condições de apreciar esta produção impecável, fica esta grande dica.
A quem eu indicaria este álbum:
1 – As pessoas que apenas escutam a voz dos seus corações e ouvem o que lhe agrada e estão
sempre abertas a novas experiências musicais, estejam elas inseridas em qualquer contexto.2 – Aos fãs de EBM é claro, afinal, uma das grandes influências de Dominik para a concepção do AmGod foi o Leather Stripo de Klaus Larsen.
3 – E, como não podia faltar, os fãs de metal, principalmente os fãs de black metal em geral, mas que não sejam radicais ao ponto de segregar um trabalho apenas por ser eletrônico, afinal o clima deste disco, atenção: “o clima” se equipara e não deixa a desejar a nenhuma outra banda de black metal.
Abraços meus amigos e até a próxima!











uh... só o seu texto já me causou arrepios...
ResponderExcluirpra ser sincero ainda não enveredei por sonoridades tão macabras do black metal, mas ultimamente tenho ouvido Sepultura, que acredito ser um bom início para gostar desse som obscuro...
Ótimo post, parabéns!
abraço!
Grande Jefferson, primeiramente obrigado pelo comentário!
ResponderExcluirO Sepultura mais underground e mais puxado pro black/death é o Bestial Devastation e o Morbid Visions, este último, junto com o Beneath the Remains, formam a dobradinha dos melhores discos da banda.
Obrigado pelo elogio também, um forte abraço camarada!
O som obscuro mostra a realidade de tudo aquilo que parece rosa.
ResponderExcluirAbraço! ;)
http://anpulheta.blogspot.com
interessante o texto hem...o bom que conhecemos um pouco mas da banda...e sua storia...
ResponderExcluirNão é exatamente a sonoridade ou tem elementos que me apeteçam, mas a descrição tá muito bom feita. Há realmente um trabalho de pesquisa e exploração muito grande do estilo como um todo!
ResponderExcluirachei super legal o seu blog
ResponderExcluiro tema é bem interessante
parabéns
Fala, meu irmão! Desculpe a sumida, mas o ritmo tá frenético!rsrsrs
ResponderExcluirVamos lá... Agora que eu estava começando a "digerir" o wumpscut tu me vem com mais essa! Bom, lá vou eu carregar o meu mp3 com suas sugestões e depois agente troca uma ideia!rsrs
Abraço!
Grande Marquinho!
ResponderExcluirAchei que eu tinha perdido meu top comentarista! rsrs
É isso aí, ouve e me diz o que achou...
FORTE ABRAÇO BROTHER!
fala , grande fábio. coisas bem obscuras hein? é isso mesmo, mete bronca aí no que vc quiser escrever, o importante mesmo é tentar compartilhar as ideias. grande abraço!
ResponderExcluirCássio / Recife
Fala meu brother!
ResponderExcluirPresença ilustre no blog.
Forte abraço irmão!
mto bom kra, está de parabéns
ResponderExcluirsempre q tiver um tempo vou dar
uma passada aqui
visite o nosso blog tmbm
retribua a cortesia
siga e deixe avisado no
comentário com o seu link
q retribuiremos
http://mikaelmoraes.blogspot.com
Apesar de ñ conhecer a banda gostei do texto
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